segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O que será capaz de aquecer o coração dessa cidade tão fria?
Tanta gente apressada, tanta gente vazia.
E quase tudo sendo deixado pra trás.
Não volto mais.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Férias.

Como naquela famosa lição de volta às aulas, escrevo sobre como foram minhas férias.
Passou um semestre desde que minha vida mudou completamente, tanto que ja não lembro muito bem como eu era antes disso. Na verdade acho que agora posso ser eu mesma, sem influências diretas, nem regras diretas. E eu não sabia, nem esperava, que eu fosse assim. Não foi uma surpresa ruim.
Caí no mundo e mal tentei resistir.
Mas as férias chegaram e entrei um pouco em conflito. O ambiente em que eu vivi por 14 anos, os amigos daqui, a família...fiquei um pouco perdida. Parece que tudo isso pertence a outra pessoa.
Tentei resolver coisas que, para mim, estavam mal resolvidas. Não deu muito certo, mas estou com a consciência limpa por ter tentado, as coisas se ajeitam com o tempo. Pensei em erros que cometi, mas que não tinha percebido antes. Percebi que a maioria das pessoas que conheço continuam me fazendo muito bem. Aconteceram choques ideológicos (daqueles que não adianta discutir) e acho que com o tempo também vão passar.
Confirmei sentimentos recentes e analisei sentimentos antigos, isso foi realmente muito útil pra mim.
E sofri de saudades, de uma forma que eu não esperava.
Amanhã voltarei pra minha nova vida e acho que vou sentir falta de viver um pouco meu 'antigo eu'. Até porque o 'novo' é muito bom sim, mas também muito difícil.
Me manter 'gente grande' na maior parte do tempo não é legal, mas será mais agradável agora, por ter alguém pra ser criança comigo ás vezes.

terça-feira, 8 de maio de 2012

De repente..

Alguns dias parecem vazios, mesmo quando tudo está agitado e corrido, dentro de você sobra um espaço meio que estático. Isso já deu medo, e continua assim. O máximo que te abala são três notas de uma música muito específica de sentimentos recentes (na verdade, momentos recentes), e que só foram importantes para você. Não pelo fato em si, mas por ter descongelado um muro pela metade.
Sem concentração, muitas coisas a fazer, muitos atrasos. E essa abstração (não sei outra palavra para definir isso) não passa.
Talvez seja um mecanismo de fuga, e mudei essa frase várias vezes pois demorei pra assumir.
E escrever 'você' quando estou falando sobre mim talvez seja também uma parte dessa fuga.
Também não são só três notas.. envolvem três discografias inteiras e mais qualquer música que esteja tocando no canal de blues da tv, que escutamos antes de dormir. Nem sempre sóbrios. Nem tão inconscientes.
E mesmo nesse embalo (pausa pras três notas - que estou ouvindo agora) tudo ainda estava desse jeito, meio abstrato, estático. Tentei recongelar o muro. 
Fiz tudo da forma que eu não gosto: sem planejar, sem pensar, ponderar.
Por enquanto não me arrependi, mas querer recongelar o muro pode ter a ver com isso.
Não sei mais sobre o que eu estou falando, mas posso afirmar que esse abstrato no meio do embalo, durante os shows meia-boca, na cama cheia de blues com cheiro de álcool, nas despedidas ao nascer do sol e na incerteza da volta pros dias normais..é, não sei também o que afirmar sobre isso. Os planos sempre mudam, os conceitos sempre se transformam, e o que sobra é só agora.

As três notas estão aí:

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A Relatividade.

Não, não tem nada a ver com física.
Embora esteja ligado fortemente a idéia de que tudo depende de um referencial.
É aquela velha história/ditado de que "depois que passa a gente ri". Tenho observado quantas coisas em alguns poucos anos de vida aconteceu comigo. Cada situação em que eu achava que era o fim ou o começo de algo. Ou que eu nunca ia conseguir superar ou dar um chute nos obstáculos. Quantos 'fim do mundo' eu achei que seria. Quantas pessoas tão diferentes eu reconheci ser todas iguais. E quantas tão importantes que eu nunca mais vi. No fim tudo é mesmo relativo, mas de certa forma sempre queremos tornar tudo importante. Ou damos valor excessivo ao desnecessário enquanto está acontecendo, ou valorizamos demais algo que esquecemos de aproveitar no passado. E passa mais algum tempo e as duas situações se tornam irrelevantes e você percebe que na verdade não há nada tão importante assim se você mudar seu referencial.
O que foi seu primeiro dia de aula no primário comparado ao seu primeiro beijo? Quão sofrida foi sentir uma traição se hoje você confia em outro alguém? Quantas noites de estudo você perdeu se hoje você é um profissional conceituado? E o dinheiro que hoje você consegue por ser esse profissional é mesmo necessário?   Qual a diferença entre a vida animal e a "humana"? E o que essa vida toda significa para o planeta ou para o sistema solar? E se o sistema solar explodir, sumir, que diferença faz para as galáxias?
Agora descubra que significância isso que está te incomodando, ou aquilo que você tem tanto medo de fazer, tem para você ou para todo o universo.

"Só teremos consciência da nossa grandeza quando percebemos nossa insignificância."

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Dizendo aquilo tudo, quase sem falar.


Uma mania, por vezes inconveniente que eu tinha, era de falar exatamente tudo o que se passava pela minha mente no momento, e apoiava o conceito: sinceridade mesmo que machuque (esse eu ainda tenho, inclusive é o que mais afasta as pessoas de mim). Bom, eu sempre tive meus conhecidos por perto de alguma forma, então sentia a necessidade de falar tudo, me sentia melhor assim.
E repentinamente me vejo completamente solitária, meu mundo a aproximadamente 330 km de distância e pouco tempo disponível para conversas por outros meios. 
Tem sido muito difícil, claro, mas percebi uma interessante diferença entre o que eu digo que sinto e o que eu realmente sinto. Não que eu estivesse mentindo antes, mas falar sobre minhas lembranças e idealizações fez com que esses sentimentos se tornassem presentes. E eu realmente senti.
Mas o engraçado é perceber que quando nada se fala, a única coisa que sobra é você. Só o que estava profundamente guardado em sua consciência. 
Deixando de dizer, as coisas acontecem como deveriam, naturalmente. Não preciso dizer que acabou, as coisas simplesmente acabam sozinhas. Da mesma maneira que algo nasce, ou continua.
E dessa forma me reconheço, graças a tão temida solidão, que para mim se tornou uma dádiva. 
Não preciso tolerar ninguém, eu tenho um mundo só meu, que por vezes deixo alguém entrar. Não preciso explicar, nem contar o que somente eu vou sentir. 
As palavras eram valorizadas por mim, desde que viessem com atitudes. Mas essas mesmas palavras podem mascarar essas atitudes correspondentes, e nada disso se torna válido.
Portanto dispenso toda e qualquer palavra dita a mim, e a que digo aos outros. Pois tudo o que eu realmente quero dizer não se manifesta em minha voz.