Uma mania, por vezes inconveniente que eu tinha, era de falar exatamente tudo o que se passava pela minha mente no momento, e apoiava o conceito: sinceridade mesmo que machuque (esse eu ainda tenho, inclusive é o que mais afasta as pessoas de mim). Bom, eu sempre tive meus conhecidos por perto de alguma forma, então sentia a necessidade de falar tudo, me sentia melhor assim.
E repentinamente me vejo completamente solitária, meu mundo a aproximadamente 330 km de distância e pouco tempo disponível para conversas por outros meios.
Tem sido muito difícil, claro, mas percebi uma interessante diferença entre o que eu digo que sinto e o que eu realmente sinto. Não que eu estivesse mentindo antes, mas falar sobre minhas lembranças e idealizações fez com que esses sentimentos se tornassem presentes. E eu realmente senti.
Mas o engraçado é perceber que quando nada se fala, a única coisa que sobra é você. Só o que estava profundamente guardado em sua consciência.
Deixando de dizer, as coisas acontecem como deveriam, naturalmente. Não preciso dizer que acabou, as coisas simplesmente acabam sozinhas. Da mesma maneira que algo nasce, ou continua.
E dessa forma me reconheço, graças a tão temida solidão, que para mim se tornou uma dádiva.
Não preciso tolerar ninguém, eu tenho um mundo só meu, que por vezes deixo alguém entrar. Não preciso explicar, nem contar o que somente eu vou sentir.
As palavras eram valorizadas por mim, desde que viessem com atitudes. Mas essas mesmas palavras podem mascarar essas atitudes correspondentes, e nada disso se torna válido.
Portanto dispenso toda e qualquer palavra dita a mim, e a que digo aos outros. Pois tudo o que eu realmente quero dizer não se manifesta em minha voz.

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